domingo, 30 de janeiro de 2011

Apocalipse - aula 6 - 30/01/2011

Aula Final

Resumindo o que vimos até aqui, conseguimos identificar a seguinte estrutura:

- Capítulo 1 - Visão do Cristo ressurreto.
- Capítulos 2 e 3 - Cartas às 7 igrejas da Ásia Menor, que contêm um mensagem a todas as igrejas de todos os tempos.
- Capítulos 4 e 5 - Visão do trono de Deus - uma visão da soberania do Deus Trino que reina acima de todos os conflitos do universo.
- Capítulos 6 a 16 - Abertura dos 7 selos, toque das 7 trombetas e derramamento das 7 taças da ira de de Deus - o número 7 representa a plenitude do juízo de Deus ao cumprir-se o tempo determinado e ao preencher-se a medida da iniquidade do mundo.
- Capítulo 13 - o anticristo e o falso profeta - interessante notar que apenas um capítulo do livro foi dedicado ao anticristo, indicando que nenhum intento infernal pode deter ou frustrar a vontade de Deus.
- Capítulo 12 - Duas testemunhas - pode ser o testemunho da Igreja ou, literalmente, dois profetas enviados por Deus para denunciar o anticristo.
- Capítulos 12 e 17 - Duas mulheres: a primeira, guardada por Deus, é uma mulher vestida com o sol que pode representar Israel ou a Igreja; a segunda, chamada de meretriz, representa todos os que se deixam seduzir pelo espírito do anticristo em todos os tempos (vide I Jo 4:1-6).

Neste estudo final, estudaremos a queda da Babilônia, a segunda vinda de Jesus, o Milênio, o Juízo Final e o novos céus e terra.

Babilônia

A descrição da Babilônia em Apocalipse nos remete a dois grandes contrastes:
    - Cidade do anticristo vs. Cidade de Deus
    - A mãe das prostituições vs. A imaculada noiva do Cordeiro

Se fizermos uma leitura histórica, veremos que essa Babilônia representa o sistema e os valores que organizam o mundo que "jaz no maligno" (I Jo 5.19). É o "Egito", ou terra do pecado, de onde o povo de Deus deve se retirar. Está embriagada com o sangue dos mártires (Ap 17.6) de todos os tempos.

No cap. 18 temos a narrativa da queda da Babilônia, que será repentina e completa. O mundo ficará desnorteado e se lamentará. Da mesma forma que Israel teve que aguardar que se completasse a medida da iniquidade dos povos que habitavam a terra prometida (Gn 15.16), a Igreja também aguarda ansiosa pelo tempo determinado por Deus para pôr fim ao pecado (Dn 9.24).

A Babilônia cai e o anticristo é derrotado pela manifestação de Cristo em sua glória (Parousia).

A Segunda Vinda

Usando a figura de um general que retorna após uma vitória, João retrata Jesus voltando como um cavaleiro vitorioso em um cavalo branco. A descrição não deixa dúvidas: o que tem olhos como chama (Ap 1), o que julga com justiça, o que veste um manto salpicado de sangue e aquele cujo nome é o Verbo de Deus (Jo 1).

Sem qualquer dificuldade, Jesus prende o diabo e o amarra por mil anos (Ap 20.2). Segue-se a primeira ressurreição e a salvação que atingirá todos os que morreram em Cristo. Os crentes que estiverem vivos também serão renovados nesse evento (I Ts 4.16-17).

O Milênio

Como foi explicado na primeira aula, são três as principais interpretações sobre o Milênio, das quais apenas o Pré-Milenismo e o Amilenismo continuam a ser considerados. Uma leitura literal e linear do cap.20 nos leva a entender que Cristo reinará 1000 anos com os salvos sobre a terra, quando se cumprirão todas a profecias do Antigo Testamento. Após esse período, o diabo será solto por um breve período de tempo e moverá uma rebelião com pessoas não-regeneradas. Essa revolta será rapidamente dissipada e, finalmente, o diabo e seus anjos serão lançados para sempre no inferno, juntamente com todos os que não forem encontrados no livro da vida no Juízo Final.

Juízo Final

Esta é uma das passagens mais fortes de toda a Bíblia: Deus se revela como o grande Juiz do universo. É um momento atemorizante, pois nele não há espaço para graça ou misericórdia: "vi um grande trono branco [...] de cuja presença fugiram a terra e os céus" (Ap 20.11).

Cada um será julgado estritamente de acordo com as suas obras. Trata-se da segunda ressurreição: a ressurreição dos que partiram desta vida sem Cristo.

Ainda que alguém queira enxergar alguma esperança de salvação nesse evento, tal esperança é difícil de ser sustentada pelos seguintes motivos:
a) "[...] o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus." (Gl 2.16);
b) "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome [...] pelo qual importa que sejamos salvos." (At 4.12);
c) "[...] todos [...] estão debaixo do pecado; [...] não há justo, nem um sequer." (Rm 3.9-10).

Apesar disso, devemos ter em mente que a Revelação de Deus é para a vida e não para a morte; para a salvação e não para a perdição. Ainda que possamos entender bem o processo da salvação, não devemos nos aprofundar em especulações sobre como será determinada a condenação eterno dos perdidos sob risco de termos que nos debater novamente com a doutrina da dupla predestinação de Calvino, segundo a qual Deus teria eleito alguns para a salvação e outros para a perdição.

Encontramos um conselho equilibrado sobre a questão da predestinação no item VIII do Capítulo III da Confissão de Westminster:

 "A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, a ifim de que os homens, atendendo à vontade revelada em sua palavra e prestando obediência a ela, possam, pela evidência da sua vocação eficaz, certificar-se da sua eterna eleição. Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho esta doutrina fornece motivo de louvor, reverência e admiração de Deus, bem como de humildade diligência e abundante consolação. Ref. Rom. 9:20 e 11:23; Deut. 29:29; II Pedro 1:10; Ef. 1:6; Luc. 10:20; Rom. 5:33, e 11:5-6, 10."
(Clique aqui para acessar o texto completo da Confissão de Westminster)

Novo Céu, Nova Terra

Em contraponto ao horror do Juízo Final, temos nos capítulos 21 e 22 a beleza da descrição da Cidade de Deus que desce dos céus, a Nova Jerusalém. A linguagem altamente simbólica dessa passagem ressalta a santidade, a nobreza e a completude de uma nova dimensão onde a presença de Deus é plena entre a humanidade. A descrição nos remete ao Santo dos Santos em sua forma cúbica (I Rs 6.20). Do trono de Deus e do Cordeiro sai o rio da água da vida e nessa cidade não haverá pranto ou luto. Para uma interpretação detalhada dos símbolos usados nessa passagem, recomendamos a leitura das páginas 2174 a 2175 do Comentário Bíblico Vida Nova (1ª edição, 2009).

Toda a esperança de crente se cumpre nas seguintes palavras do Todo-Poderoso:
"Eis que faço novas todas as coisas. [...] O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus e ele me será filho."

E a visão se encerra com a promessa do Senhor: "Eis que venho sem demora", e a resposta imediata no coração dos discípulos de todos os tempos é: "[Maranata], vem, Senhor Jesus!"

Apocalipse - aula 5 - 23/01/2011

Aula 5 - Tribulação e Arrebatamento

70 semanas de Daniel (Dn 9)

Basicamente poderíamos resumir a interpretação dessa profecia da seguinte forma:

(a) 62 + 7 = 69 semanas de anos ou 483 anos. Esse período corresponde ao tempo passado entre o decreto de Artaxerxes para a reconstrução de Jerusalém e o ministério de Jesus;
(b) Após a ressurreição de Cristo, a contagem é suspensa para que o evangelho seja pregado em todo o mundo;
(c) No tempo determinado por Deus, o relógio escatológico é reativado, restando assim um período de 1 semana profética, ou 7 anos, ou 1260 dias, para que chegue o fim de todas as coisas com a segunda vinda de Jesus.

Para um aprofundamento no assunto, recomendamos a leitura do estudo publicado pela EBR-Editora Batista Regular, As Setenta Semanas de Daniel (Dr.Alva J. McClain)
Clique aqui para acessar o site da editora.

Arrebatamento

O capítulo 11 favorece uma interpretação meso-tribulacionista do arrebatamento, segundo a qual o arrebatamento da Igreja ocorrerá no meio da última semana profética de Daniel, antes do início da chamada Grande Tribulação que terá a duração de 3 anos e meio.

De acordo com essa passagem, duas testemunhas se levantarão em Jerusalém durante o governo do anticristo para denunciá-lo. Há diversas interpretação para essas personagens:
- duas pessoas levantadas por Deus;
- Moisés e Elias;
- a Igreja.

O fato de as testemunhas estarem vestidas de saco aponta para o tipo de mensagem que elas proclamam: o juízo iminente e a necessidade urgente de arrependimento. No meio da semana profética, as testemunhas parecem ser derrotadas pelo anticristo, mas após 3 dias e meio revivem e são arrebatadas: "[...] ouviram grande voz vinda do céu, dizendo-lhes: subi para aqui, e subiram ao céu numa nuvem, e os seus inimigos as contemplaram (Ap 11.12)." A corrento meso-tribulacionista se apóia nessa passagem, mas é importante relembrar que a igr

sábado, 22 de janeiro de 2011

Apocalipse - aula 4 - 16/01/2011

Selos e Trombetas (caps. 6 a 10)

Como mencionamos na primeira aula, a leitura linear não é a única possível no Apocalipse. A história da Igreja mostra claramente que muitas das profecias do Apocalipse já se cumpriram parcialmente em diversos momentos e estão aguardando o tempo decretado por Deus para o seu cumprimento pleno e final.

O número sete é emblemático na descrição dos selos, trombetas e taças nos capítulos 6 a 16. Estamos diante da completude da ira de Deus sobre um mundo pecador.

Entretanto, é importante notar mesmo a ira de Deus denota a sua misericórdia e a sua longanimidade, pois ela é gradual e objetiva primeiramente o arrependimento da humanidade antes de desembocar em um estado de perdição sem retorno.

O princípio em operação é o mesmo que observamos em Gênesis 15.16. Nessa passagem, Deus revela a Abraão que a sua descendência somente herdaria a terra prometida depois que se enchesse "a medida da iniquidade dos amorreus". Da mesma forma, a Igreja somente será redimida e herdará "um novo ceu e uma nova terra" quando se encerrar o atual período de graça e oferta de salvação em Cristo.

Na divisão da narrativa em selos, trombetas e taças, vemos um crescendo na intensidade e nas consequências dos fatos, culminando na abertura do sétimo selo. O que se passa a seguir, com o toque das trombetas e com o derramamento das taças da ira de Deus, poderia ser classificado como o período da Grande Tribulação.

O quadro abaixo tenta esquematizar a ordem dos fatos na narrativa bíblica.

Verificamos alguns pontos comuns entre os flagelos relacionados aos selos, trombetas e taças:

1. Guerras 
(1º e 2º selos)
2. Fome 
(3º selo)
3. Pestes
(5ª trombeta, 1ª e 5ª taças etc.)
4. Grande mortandade
(4º selo, 6ª trombeta etc.)
5. Poluição, aquecimento da terra e contaminação das águas 
(1ª, 2ªe 3ª trombetas, 2ª, 3ª e 4ª taças etc.);
6. Abalo da natureza 
(6º selo, 4ª trombeta, 7ª taça etc.).

No quinto selo, João tem a visão das "almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam" (Ap 6.9). Eles são consolados por Deus com a promessa de que serão vingados e ressuscitados. Isso nos remete ao Salmo 116:15 que expressamento afirma que "preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos". Os cristãos serão perseguidos até o final dos tempos. Como já mencionamos em uma aula anterior, nos últimos 100 anos foram perseguidos, torturados e mortos por causa de sua fé mais cristãos do que nos primeiros 19 séculos da história da Igreja. Compare com Mt 24.9 e II Tm 3.12.

Há também uma menção à evangelização mundial na passagem em que é ordenado a João que coma um livrinho que lhe é doce na boca e amargo no estômago. Isso seria uma clara referência às dificuldades enfrentadas na pregação do evangelho: doce na boca, pois é palavra de perdão e salvação; e amarga no estômago, devido à oposição do mundo. Compare Mt 24.14 com Ap 10.9-11.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Apocalipse - aula 3 - 09/01/2011

O Trono de Deus (caps. 4 e 5)



No capítulo 4, João tem uma visão do céu em que ele contempla a majestade e a soberania de Deus. Deus se mostra como o Deus da criação e o Deus da redenção, cujo propósito eterno é cumprido na cruz e na ressurreição de Cristo. A  visão desse capítulo nos remete a visões do Antigo Testamento, como Isaías 6 e Ezequiel 1.

No capítulo 5, vemos Jesus como o vencedor absoluto sobre as postestades, sobre os direitos do mal e sobre a morte. A vontade de Deus na criação se cumpre completamente no Cordeiro. O mundo e a criação subsistem pela vontade de Deus.

Devemos ser cuidadosos ao lidar com a linguagem simbólica do Apocalipse, pois nem todos os símbolos necessitam ter um significado individual. É arriscado buscar uma interpretação específica para cada figura de uma visão, profecia ou parábola.

Na visão do trono, basta reconhecer a majestade, soberania e sublimidade da Trindade que se localiza acima do tempo e das vicissitudes do mundo caído. O trono ocupa uma posição central e todo o universo se ocupa de servir e adorar a Deus.

Algumas possíveis interpretações das figuras da visão:
- trono: autoridade plena da Trindade.
- 24 anciãos: 12 patriarcas de Israel + 12 apóstolos - plenitude dos redimidos da Igreja e de Israel.
- arco-íris: a aliança e a misercórdia de Deus.
- 7 tochas de fogo / 7 Espíritos de Deus - plenitude da atuação do Espírito Santo.
- 4 seres viventes : representação do que há de mais nobre, forte e sábio na criação. Vejam também a visão dos querubins em Ezequiel 1.
- relâmpagos e trovões: espanto, temor e admiração diante da revelação de Deus. Uma referência ao Sinai (Êxodo 19.16).

Vários artistas tentaram capturar essa impactante visão.
The Bowyer Bible, William Blake.

O capítulo 5 inicia-se em tom de ansiedade e desespero com a  apresentação de um livro selado. Parece ser um livro de contrato ou testamento de cuja abertura dependem os grandes eventos do juízo e da salvação. Os 7 selos mencionados parecem indicar a total e completa impossibilidade de se abrir o livro. Fazendo-se uma ponte com Romanos 8.19-22, podemos contemplar o Universo em "ardente expectativa" pela restauração da ordem da criação.

Anuncia-se que o Leão da Tribo de Judá é o vencedor que pode abrir o livro, mas eis que surge um Cordeiro ferido, cujo sangue salvou pessoas de toda "tribo, língua e nação". O capítulo 5 é um cântico para o plano da salvação e para a exaltação de Cristo.

O Cordeiro apresenta-se com
7 chifres - poder total.
7 olhos - conhecimento total (vejam Zacarias 4.10).
7 Espíritos de Deus - um com o Pai, plenitude da Divindade (vejam Colossenses 1.19 e Filipenses2.6-11).

O capítulos tem um final apoteótico com cântico e adoração de toda criatura:
"Àquele que está sentadono trono
e ao Cordeiro,
seja o louvor, e a honra,
e a glória, e o domínio
pelos séculos dos séculos."

Todo o universo se curva diante do Cordeiro e todos dizem "Amém".

Mais algumas sugestões bibliográficas:

- WALVOOD, John. Todas as Profecias da Bíblia. Editora Vida.
- GUNDRY, Roberto. Panorama do Novo Testamento. Editora Vida Nova.
- CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova.
- SHEDD, Russel. A Escatologia e a influência do futuro no dia-a-dia do cristão. Shedd Publicações.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Apocalipse - aula 2 - 02/01/2011

Nos capítulos 2 e 3, encontramos cartas do Senhor para as sete igrejas da Ásia Menor. Essas igrejas estavam localizadas no território em que hoje se encontra a Turquia.
Clique aqui para ver mais fotos das ruínas das cidades onde se encontravam as sete igrejas.

Quando estudamos essas cartas, podemos buscar uma aplicação quádrupla:
1. Igreja local (nossa igreja);
2. Cristão individual (nossa vida);
3. História (exemplos de outros tempos);
4. Profecia (cumprimento futuro).

Éfeso
A fundação da igreja de Éfeso está narrada no livro de Atos (vide o capítulo 19). Éfeso era um importante centro econômico e religioso.
- Elogio: perseverança nas obras e na doutrina (ortodoxia).
- Advertência: havia deixado o primeiro amor.
Durante a aula, discutimos o que seria o primeiro amor, e o grupo levantou os seguintes pontos:
1. Sede de Deus, de sua Palavra e de sua presença;
2. Fervor missionário;
3. Amor ardente uns pelos outros;

- Exortação: arrepender-se e voltar às primeiras obras.
- Promessa: o vencedor terá acesso à árvore da vida.

Quem é o vencedeor? Vide I Jo 5:4,5 - a vitória que vence o mundo é a nossa fé em Jesus. Diferentemente do que se tem pregado por aí, não precisamos conquistar a vitória, mas sim permanecer nela, pois já foi conquistada por Cristo na cruz.

Esmirna
A nome Esmirna significa "amargo/amargura" e nos remete às tribulações da Igreja.
O texto nos chama à atenção para a divindade de Cristo: o que esteve morte e tornou a viver, e que é o primeiro e o último (compare com Ap 1:8).
A igreja em Esmirna passa por tribulações e privações, mas é rica aos olhos de Deus. Juntamente com Jesus, a Igreja vence o mundo, mesmo quando as circuntâncias parecem indicar o contrário.
A Igreja será perseguida até o final dos tempos. Se não somos perseguidos agora, devemos lembrar que as gerações que nos precederam no Brasil o foram, e talvez a próximas também sejam. O amanhã a Deus pertence e, por isso, devemos aproveitar a liberdade que temos hoje para pregar a salvação ao maior número possível de pessoas e para nos envolver no plano de Deus para o mundo.
Lembremos que muitos irmãos sofrem perseguição nos nossos dias. Nas últimas semanas, várias comunidades cristão sofreram ataques terroristas no Egito e no Iraque. Ainda podemos citar a perseguição na Índia, Paquistão, Arábia Saudita, Irã e até mesmo em países próximos como o Peru e o México. Para mais detalhes sobre a perseguição no mundo de hoje, acesse o site da Missão Portas Abertas.
Os dez dias de perseguição mencionados no texto podem se referir a dez eventos de severa perseguição durante o império romano (até 312 d.C.) sob os imperadores Nero, Domiciano, Trajano, Aurélio, Severo, Máximo, Décio, Valeriano, Aureliano, Diocleciano. De um ponto de vista profético, pode se referir a um número limitado de eventos de perseguição que virão sobre a Igreja até o final dos tempos.
É na perseguição que o joio se mostra no meio do trigo ...
O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte! (Ap 2:11)

Pérgamo
Era um centro político e também um centro religioso, onde predominava o culto ao deus pagão Esculápio, deus da medicina e da cura.
Apesar de ser um trono de Satanás, a igreja não é advertida a temer a ação do mal, mas sim a guardar-se da impureza doutrinária. A estratégia bíblica para a batalha é clara: fugir das paixões da carne e resistir ao diabo (compare 2 Tm 2:22 com Tg 4:7).

- Elogio: perseverança na fé em meio a muita tribuação.
- Advertência: impureza doutrinária (prostituição aqui refere-se provavelmente à impureza espiritual).

A questão da impureza doutrinária tem sido muito negligenciada em nossos dias. A tendência do mundo pós-moderno é relativizar todos os absolutos, incluindo os éticos e morais. A Igreja não pode permitir que a pureza da revelação de Deus seja maculada por falso ensinos, pois esses ensinos podem minar a eficácia da sua pregação da salvação em Cristo.

- Exortação: se a Igreja não se arrepender, perderá o seu lugar inesperadamente, pois a vinda do Senhor vem sem aviso.
- Promessa: (a) Pedrinha branca: aprovação de Deus, e (b) Maná escondido: sustento de Deus.

Tiatira
Era um conhecido centro de comércio de lã e tintas. Era a terra de Lídia, conforme At 16.14. Alguns comentaristas também mencionam que, em Tiatira, as práticas de feitiçaria e de impureza sexual eram comuns.

Pés "semelhantes ao bronze": em muitas passagens do AT e do NT, o bronze é um símbolo do juízo de Deus. Cf. Nm  21.4-9; Jo 3.14-15; II Co 5.21.

- Elogio: amor, fé e serviço.
- Advertência: tolerar Jezabel (I Re) - uma provável referência à prostituição espiritual. Um erro recorrente na história de Israel, também pode atingir a Igreja quando esta é seduzida por falsos líderes com falsos ensinos, "lobos em pele de ovelha".
- Promessa: autoridade sobre as nações.

Sardes
O nome dessa cidade significa "restante".

- Advertência: nome de quem vive, mas está morta.

Trata-se de uma referência ao nominalismo na Igreja. Há vários alertas sobre esse perigo nos Evangelhos: "pérola de grande valor", "tudo ou nada", "tirar a mão do arado", "olhar para trás".

- Exortação: arrepender-se e vigiar.

- Promessa: vestes brancas e o nome inscrito no Livro da Vida.

Filadélfia
A igreja do "amor fraternal". Não há nenhuma advertência da parte do Senhor.

"Porta aberta que ninguém pode fechar" - até o fim haverá portas abertas para a pregação do Evangelho. Isso deve nos levar a refletir sobre a situação das Missões nos dias de hoje.

- Promessa: Jesus vem sem demora e sempre será o defensor da Igreja.

Laodiceia
Centro bancário, região produtora de um colírio famoso e importante ponto de entretenimento (esportes, teatro etc.).

- Advertência: a Igreja é definida como "morna".

A igreja satisfeita consigo mesma está feliz dentro de quatro paredes. Um caminho para a restauração passa pela sede de justiça, sede de Deus e anseio pela volta de Cristo.

"Eis que estou à porta e bato" (vs 20): Jesus não desisste do pecador.